Gestao Ambiental

Fórum do Curso de Tecnologia em Gestão Ambiental da Universidade Presidente Antônio Carlos, campus Belo Oriente.
 
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 continuação do trabalho Mediterrâneo e Chaparral/Caatinga

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cynthiaecharles



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Data de inscrição : 13/03/2008

MensagemAssunto: continuação do trabalho Mediterrâneo e Chaparral/Caatinga   Dom Abr 27, 2008 10:04 am

3.1. Polígono das Secas
O Polígono das Secas é um território sujeito a períodos críticos de prolongadas estiagens, delimitado em 1936, através da Lei 175, e revisado em 1951.Trata-se de uma divisão, político-administrativa e não coincide com à zona semi-árida, pois apresenta diferentes zonas geográficas com distintos índices de aridez, indo desde áreas com características estritamente de seca, com paisagem típica de semi-deserto à áreas com balanço hídrico positivo. Situa-se, majoritariamente, na região Nordeste, porém estende-se até o norte de Minas Gerais. Incluem-se no Polígono das Secas oito Estados nordestinos, 270 municípios, 363.396,1 km2 e 5.892.081 habitantes.
3.2. O Semi-Árido
A região Semi-Árida corresponde a uma das seis grandes zonas climáticas do Brasil. Do ponto de vista climático, o Semi-Árido é formado pelo conjunto de áreas contíguas, caracterizadas pelo balanço hídrico negativo, resultante de precipitações médias anuais iguais ou inferiores a 800 mm, insolação média de 2800h/ano, temperaturas médias anuais de 23º a 27º C, evaporação de 2.000 mm/ano e umidade relativa do ar média em torno de 50%. Caracteriza-se essa região por forte insolação, temperaturas relativamente altas e pelo regime de chuvas marcado pela escassez, irregularidade e concentração das precipitações num curto período, de apenas três meses.
O semi-árido brasileiro está delimitado pela projeção das chuvas da chamada Zona de Convergência Intertropical, que abrange parte dos Estados da Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Maranhão e minas gerais. A Zona de Convergência Intertropical é um sistema formador de chuvas que provoca precipitações anuais raramente superiores a 600 mm, fenômeno que, em combinação com os elevados índices de insolação, faz da semi-aridez - e mesmo aridez, em alguns casos – o traço fisiográfico predominante na região.
Com relação ao quadro ecológico, caracteriza-se essa Região pelo domínio do ecossistema das caatingas. A vegetação é de porte árboreo e arbustivo, onde predominam espécies decíduas e espinhentas, com elevado grau de xerofilismo.
Os solos são arenosos ou areno-argilosos, pobres em matéria orgânica, muito embora,com regular teor de cálcio e potássio, predominando os tipos: Bruno não-Cálcico, Podzólico Vermelho-Amarelo Eutrófico, Cambissolo-Litólico, Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, Planossolo Solódico, Regossolo e Solonetz. Os solos rasos e pedregosos da Região são derivados principalmente de rochas cristalinas, praticamente impermeáveis, nas quais as possibilidades de acumulação de água se restringem às zonas fraturadas.
Em conseqüência da escassez das precipitações pluviométricas e da reduzida capacidade de retenção de água no solo, o regime dos rios é temporário, com exceção do Rio São Francisco, pelo fato de ter suas cabeceiras fora da Região Semi-Árida.


A par das adversidades climáticas, ressalta-se a inexistência de uma política eficiente e continuada de gestão dos recursos hídricos da região. Esses aspectos têm contribuído sensivelmente para aumentar a vulnerabilidade do semi-árido brasileiro, com graves conseqüências para a população, trazendo prejuízos econômicos e sociais de incalculável monta.
3.3. O Fenômeno das Secas
O Nordeste brasileiro é uma região onde predomina o clima semi-árido caracterizado por uma grande variabilidade anual na precipitação. Historicamente a Região sempre foi afetada por grandes secas ou grandes cheias.. Estudos indicam que o fenômeno das secas remonta há milhares de anos, antes mesmo da ocupação humana no Nordeste brasileiro. De acordo com dados da Coordenação de Defesa Civil da Sudene, a ocorrência de secas na Região se verifica desde antes da chegada dos europeus ao continente. Estatisticamente, acontecem de 18 a 20 anos de seca a cada 100 anos.

As secas podem ser classificadas em hidrológicas, agrícolas e efetivas. A hidrológica carateriza-se por uma pequena, mas bem distribuída precipitação. As chuvas são suficientes apenas para dar suporte à agricultura de subsistência e às pastagens.
A seca agrícola, também conhecida como seca verde, acontece quando há chuvas abundantes, mas mal distribuídas em termos de tempo e espaço. A seca efetiva ocorre quando há baixa precipitação e má distribuição de chuvas, tornando difícil à alimentação das populações e dos rebanhos e impossibilitando a manutenção dos reservatórios de água para consumo humano e animal. Este tipo de seca é comum no Nordeste, que enfrentou secas assim em 1983, após quatro anos consecutivos de estiagem que assolou a Região a partir de 1979
As secas são influenciadas por diversos fatores, dentre os quais vale destacar: diferença de temperatura superficial das águas do Atlântico Norte, que são mais quentes, e do Sul, frias; deslocamento da Zona de convergência intertropical para o Hemisfério Norte, em épocas previstas para permanência no Sul; e o aparecimento do fenômeno conhecido como El Niño, caracterizado pelo aumento da temperatura no Oceano Pacífico Equatorial Leste. De acordo com o Centro de Previsão de Tempo de Estudos Climáticos - CPTEC do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a precipitação nessa Região é bastante sensível a extremos de temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial associados ao ENSO assim como as anomalias de temperatura da superfície do Atlântico, associadas ao dipolo de anomalias de temperatura da superfície do mar do Atlântico. A topografia acidentada do Nordeste e alta refletividade da crosta são os principais fatores locais inibidores da produção de chuvas.

4 - Conclusão
A vegetação do Bioma Caatinga é bastante diversificada por incluir, além das Caatingas, vários outros ambientes associados,somente de Caatinga são reconhecidas 12 tipologias diferentes, as quais despertam atenção especial pelos exemplos fascinantes de adaptação aos hábitats semi-áridos. Tal situação pode explicar, em parte, a grande diversidade de espécies vegetais, muitas das quais endêmicas no Bioma. Estima-se que pelo menos 932 espécies foram registradas na região, sendo 380 delas endêmicas. Encontra-se endemismos também em outros níveis taxonômicos,pois vinte gêneros de plantas são conhecidos apenas na Caatinga.
A heterogeneidade ambiental da Caatinga e a singularidade de certos ambientes permitem supor a possibilidade de a fauna de invertebrados desse Bioma ser riquíssima,com varias espécies endêmicas. Entretanto, o aspecto que mais se destaca na analise dos dados sobre os invertebrados habitantes da Caatinga é o conhecimento insuficiente que deles se tem. Essa conclusão foi fornecida por diagnósticos preliminares (cujas bases são os trabalhos publicados, os em andamento, os resultados de diagnósticos prévios e as informações pessoais de diversos pesquisadores) e confirmadas nas discussões entabuladas durante o evento.
Em razão da semi-aridez dominantes na região, e do predomínio de rios ‘temporários’ , era de esperar que a Biota aquática da Caatinga fosse pouco diversificada,com não muitas espécies endêmicas e com o predomínio de espécies generalistas amplamente distribuídas. Tal predisposição foi avaliada ao ser confrontada com informações sobre os peixes da região. Esses foram utilizados como componentes do grupo indicador da biota aquática, pois somente para eles há informação de qualidade. A hipótese de que a caatinga é pobre em espécies aquáticas foi rejeitadas. A partir das informações disponíveis foi possível obter dados referentes às 185 espécies de peixes do Bioma , as quais estão distribuídas em 100 gêneros. A maioria (57,3%) dessas é endêmica. Merece destaque, no entanto, o grande numero de espécies endêmicas de peixes anuais (família Rivuludae) encontradas somente ao longo do médio curso do Rio São Francisco.
São conhecidas, em localidade com feição características das Caatingas semi-áridas, 44 espécies de lagartos, nove espécies de anfisbenideo, 47 de serpentes, 4 de quelônios, 3 de crocodilianos, 47 de anfíbios anuros e 2 de gimnofionos. Dessas, aproximadamente 15% são endêmicas e apenas uma considerada oficialmente ameaçada de extinção: o jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris).
Apesar de considerado o grupo animal, mais bem conhecido no que diz respeito à taxonomia , à distribuição geográfica e à historia natural, há ainda grandes lacunas sibre os dados relativos às aves da caatinga. Para indicar áreas prioritárias a serem conservadas foi analisada a distribuição das 384 espécies registradas no Bioma. Merecem atenção especial os táxons endêmicos e as espécies ameaçadas de extinção, pois essas são, de modo geral, as mais vulneráveis à atual expansão das atividades humanas no Bioma. Um conjunto de 15 espécies e de 45 subespécies foi identificado como endêmico. São 20 espécies ameaçadas de extinção, estando incluídas nesse conjunto 2 das espécies de aves mais ameaçadas do mundo: a ararinha-azul(Cyanopsitta spixii) e a arara-azul-de-lear (Anodorbyncbus leari).
Foi feito um levantamento das unidades de conservação – UCs da Área da caatinga, e das informações relativas aos principais problemas que hoje afetam essas unidades, assim como especulada a existência de propostas dos órgãos governamentais para a criação de outras UCs. Com base nesse diagnóstico, nas informações tornadas disponíveis pela organização do subprojeto e no conhecimento dos participantes recomendou-se: 1. valorizar o papel das UCs no contexto regional; 2. solucionar os principais problemas pertinentes à manutenção e ao manejo das UCs; e 3. alternar e criar unidades de conservação.
A fragilidade do ambiente o e nível de pressão antrópica foram os principais critérios em que se fundamentou a identificação das áreas prioritárias para a conservação concernente aos fatores físicos. A identificação baseou-se na forma de utilização agroecológica das áreas, em virtude de suas características marcantes quanto a recursos naturais e socioeconômicos. Como fontes para a tomada de decisão foram utilizados mapas de altitude, de geomorfologia, de solos, de clima (principalmente de distribuição das chuvas), de vegetação natural, e de recursos hídricos (tanto superficiais quanto sbsuperficiais). No tocante às fontes agrossocioeconômicas, as principais variáveis enfocadas foram: A densidade demográfica, a estrutura fundiária e os sistemas de produção / exploração usados pelas comunidades.
A fauna de mamíferos de caatinga tem sido geralmente reconhecida como depauperada, representativa de apenas um subconjunto da fauna de mamíferos do cerrado, bioma esse mais extenso e mais úmido. Essa proposição, no entanto, está longe de ser verdadeira. Com base nas referências bibliográficas contendo informações geográficas passíveis de mapeamento, e em informações provenientes de espécimes depositados em museus de história natural, foi possível relacionar pelo menos 148 espécies de mamíferos do bioma, das quais dez seriam endêmicas. Essa informação contrapõe-se àquela segundo a qual haveria oitenta espécie no bioma, com menção de um único caso de endemismo.
O grupo temático uso sustentável identificou as principais atividades que alteram a biodiversidade na Caatinga, e propôs um conjunto de estratégias aptas a diminuir os impactos de tal alteração mediante a adoção de praticas mais compatíveis com a manutenção dos processos ecológicos da região. Foram feitas recomendações sobre: a fauna, os recursos florestais, as áreas degradadas,a agricultura e a pecuária. Adicionalmente sugeriu-se desenvolver a educação ambiental, ampliar o ecoturismo e reforçar o papel das unidades de conservação.
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